sábado, 29 de outubro de 2011

“...Fatos aproximam mais as pessoas enquanto as opiniões podem separá-las”


A idéia de se trabalhar em equipe surgiu no momento que o homem percebeu que a soma dos conhecimentos e habilidades individuais facilitariam o atingir dos objetivos. A mudança constante das informações e a necessidade de um maior conhecimento motivaram cada vez mais essa forma de trabalho, ou seja, fazer com que um grupo, formado por pessoas diferentes, tenha objetivos comuns.
A verdade é que nem todas as empresas conseguem isso:
transformar grupos de trabalho em equipes vencedoras, pois, quando falamos em equipes de trabalho, estamos nos referindo ao somatório de forças que vem do conhecimento e experiência, contudo, ao falarmos na formação dessa equipe, começamos a mencionar pessoas.
Essa então é a grande sacada, porque pessoas são dotadas de sentimentos individuais, expectativas únicas, sem falar nas crenças, valores e identidade que cada um vai formando no decorrer da vida.
É fato que
toda equipe necessita de um líder que seja capaz de orientar, mostrar caminhos e gerar grandes resultados. Ele deverá ser dotado de características, não somente técnicas, mas também comportamentais, como, por exemplo, ter carisma, humildade, sinceridade, ser preocupado e compreensivo. É dele a missão de inspirar, em seus colaboradores, a motivação para a conquista. O líder, portanto, é um modelo. Dessa forma, consegue envolver e comprometer as pessoas, transmitindo-lhes sinergia, amizade, companheirismo e satisfação. É, dessa forma, que nasce um time de vencedores, mantido, certamente, pela parceria de todos.

Cabe ressaltar também que as pessoas envolvidas necessitam resgatar valores como união, respeito, cooperação, participação, envolvimento e comprometimento. Esse resgate é fundamental, pois a sociedade como um todo está num processo quase cruel de individualismo.
JUNTOS SOMOS FORTES, nada mais verdadeiro do que esta frase. A sobrevivência de uma empresa está relacionada com o conceito que ela tem de união e como ela vai passar isso aos seus colaboradores. Com o
trabalho em conjunto, as pessoas desenvolvem seu espírito de cooperação e é dele que nasce o mais nobre dos sentimentos, o afeto. A troca é matéria-prima em uma equipe e, nesse processo, todos, inconscientemente, se alimentam.
A verdadeira equipe equilibra egos, ensaia com afinco a humildade de cada colaborador, treina intensivamente o reconhecimento, incentiva, com firmeza, a satisfação de todos, zela pela paz e, finalmente, aposta no respeito e na transparência.
Equipes vencedoras são formadas por pessoas que não pensam somente em sua
vitória pessoal, mas sim, no todo. Vibram pelas conquistas dos colegas e entendem que o sucesso deles é também seu. São pessoas capazes de perceber que aquilo que se obtém, não vem por acaso, mas sim pelo resultado do trabalho de todos. Assim, se desencadeia o autodesenvolvimento de uma organização. Procuram sempre evoluir, em busca das novidades e da participação com idéias criativas para serem implantadas, esforçam-se ao máximo para que toda a equipe cresça. Sabem que cada tarefa realizada é para o crescimento do todo, por isso, comprometem-se em todos os aspectos do trabalho. Têm consciência de que necessitam de constante atualização, para ampliar o seu conhecimento com cursos, treinamentos, independentes da empresa, e que o resultado disso será a melhoria individual e, principalmente, do time. Sentem-se gratificados por compartilhar o conhecimento adquirido com os demais. São dedicados, informados, sugerem abordagens que possam gerar lucros, visando à sustentação da equipe que passa a ter um crescimento constante.

Concluindo, em um grande time de vencedores encontramos o alimento para as nossas vitórias individuais

E o que é uma equipe? Equipe é um grupo de pessoas que possui objetivos comuns e que trabalham para cumprir metas específicas. Diferentemente de um grupo, que são pessoas, também com objetivos comuns, mas que, em geral, se reúnem por afinidades pessoais.

A psicóloga Suzy Fleury assim os diferencia. Por exemplo: um grupo é um conjunto de pessoas que vão ao cinema. O objetivo é assistir o filme. As equipes são pessoas que trabalham juntas para a realização do filme (atores, técnicos, diretor), dentro de um corporativismo entre todos os membros, escolhidos por suas habilidades e competências.

Montar uma equipe coesa nem sempre é fácil. A começar que uma equipe é composta por pessoas, uma diferente da outra, onde cada uma possui seus componentes individuais, seus objetivos, a maneira como cada um enxerga o significado de sua atividade, etc.
Portanto, construir uma equipe de alta performance é uma tarefa que demanda tempo, principalmente quando se leva em consideração, também, o lado emocional das pessoas e o alinhamento de suas diferenças individuais.
Muito além das características de uma equipe, vistas a seguir, há a necessidade do líder trabalhar todo o conteúdo emocional, de cada membro e de toda a equipe, no que diz respeito aos objetivos a serem alcançados.
Se o líder não abrir espaço para que as pessoas falem de seus problemas, seja em relação às tarefas, seja em relação aos integrantes da equipe, a energia utilizada para lidar com medo, angústia, ressentimento, desespero, incompetência, intranqüilidade, raiva e tristeza, torna a relação falsa e a tarefa improdutiva, como afirmam Fátima Motta e Edson G. França.
Os mesmos autores citam o seguinte exemplo: um componente da equipe vê, na realização da tarefa, uma oportunidade de realização, crescimento e amadurecimento pessoal. Outro membro pode ver esta pessoa querendo se projetar de forma pessoal. Estes diferentes pensamentos podem levar a equipe à estagnação, visto que estas duas diferentes versões podem ocasionar posicionamentos rígidos face à uma questão qualquer relacionada à tarefa. O papel do líder é vencer estas e outras visões advindas das crenças e valores que cada um carrega dentro de si. 
Se ao líder cabe a tarefa de transformar as pessoas, cabe a cada membro da equipe ter a vontade de buscar, com seus pares, aprendizagem, compartilhamento, convivência e respeito mútuo.

O que é necessário para se formar uma equipe altamente eficaz
Os rumos da nova economia estão exigindo líderes multifuncionais, com atuação cada vez mais ampliada. Para isto ele necessita do suporte de uma equipe bem articulada, coesa e sincronizada. A fim de atender este novo papel, alguns itens devem ser observados.
1 – Definição do objetivo
As tarefas, os objetivos finais, devem ser claros, para que todo o esforço seja direcionado a um único alvo. Cada membro deve encarar o objetivo final como um desafio.
Deste modo,
trabalham-se primeiro os fatos, depois as opiniões. Fatos aproximam mais as pessoas enquanto as opiniões podem separá-las.
2 – Estabelecimento de funções
Se cada integrante da equipe não souber a sua função e a tarefa a desempenhar, certamente o objetivo não será alcançado.
Muitas vezes estas pessoas podem necessitar de um treinamento.
Se as funções e responsabilidades de cada um não forem definidas, os resultados serão ruins. Cada um deve fazer a sua parte e contribuir para o todo.

3 – Respeito à individualidade
Como já foi mencionado, equipes são formadas por pessoas diferentes que possuem diferentes histórias de vida, conhecimentos e experiências. Esta diversidade deve ser estimulada para que cada um dê o seu melhor e libere talentos. E se um membro tiver mais do que um talento, melhor ainda.
Veja o exemplo de uma equipe de futebol. Se um jogador da defesa vai ao ataque, o do meio campo (armador) volta para cobrí-lo e torna-se um defensor.
Pesquisas demonstram que pessoas preferem trabalhar com pessoas que possuem personalidades diferentes, ou seja, que possam complementá-las no trabalho em equipe. Quando líder e liderados conhecerem as características de cada um, maiores e melhores serão os resultados obtidos pela equipe.
Cada membro, certamente, tem sempre algo a contribuir para o sucesso da equipe.

4 – Resolução de conflitos
Conflitos e outros problemas relacionados às tarefas devem ser sempre expostos e discutidos para que tudo se esclareça da melhor forma possível.
Em uma equipe sempre haverá diferenças de opiniões visto as diferentes personalidades de cada membro. O grande desafio é saber valorizar estas diferenças e transformar os conflitos em frentes de crescimento, produtividade e superação.
Todos devem ter em mente que a
cooperação é diferente de competição.
5 – Flexibilidade permanente
Uma competência que precisa ser desenvolvida por todos para encarar mudanças de rumo e superação de obstáculos até que o objetivo seja alcançado.

6 – Ambiente saudável
O ambiente de trabalho deve favorecer o desenvolvimento, a criatividade, a inteligência e o talento dos integrantes do grupo.

7 – Desenvolver o “fazer a diferença”
Ao líder cabe desenvolver em cada liderado o sentido de fazer a diferença, o que significa melhorar as qualidades para o desenvolvimento das tarefas, aumentar o treinamento, o desenvolvimento e a educação para que cada um sinta a sua importância dentro de todo o processo.

8 – Dar e receber feedback
Quando o feedbak é utilizado adequadamente, quem o recebe poderá avaliar melhor seu comportamento dentro da equipe, porque é informado de aspectos que estavam lhe passando despercebidos. O feedback melhora a integração dos membros da equipe e também a satisfação pessoal.
O importante é saber que feedback não é crítica pessoal feito para ferir ou melindrar, mas uma oportunidade para o crescimento pessoal e melhoria do desempenho.

9 – Avaliação e monitoramento
De tempos em tempos é necessário que se avaliem os resultados até então atingidos. Este monitoramento do trabalho da equipe é importantíssimo para que cada membro tenha conhecimento de seu desempenho e em que e como melhorar. A qualidade do trabalho em equipe é fator fundamental para o sucesso.
As pessoas necessitam saber que seu trabalho é importante, que participam de uma atividade que tem valor e que devem sentir-se integradas em todo o processo.

10 – Confiança
O líder deve deixar claro que a confiança mútua, a sinceridade, o
respeito, o diálogo franco e aberto, a cooperação e o consenso entre todos os membros da equipe são fundamentais para um bom trabalho.
Estes princípios desenvolvem o compromisso e a identidade de uma equipe.

11 – Informações compartilhadas
O trabalho em equipe implica o compartilhamento de informações e não uso exclusivo das mesmas por cada membro. Este compartilhamento, a ajuda mútua e a motivação para a cooperação, com toda a certeza, são aspectos relevantes para se alcançar o sucesso.
12 – Motivação
John Wagner & Hollenbeck afirmam que “a motivação dos membros da equipe é um fator importante que afeta a produtividade em equipe e que pode ser gerenciada para evitar ou minimizar a perda do processo. A motivação é um determinante crucial da realização pessoal e igualmente fundamental na determinação da realização de uma equipe, ou seja, os membros devem estar suficientemente motivados para alcançar o mais alto nível de produtividade permitido por seus talentos”.
Como a produtividade está diretamente relacionada à motivação, mantê-la sempre presente e em alta é função do líder, pelo reconhecimento, e da empresa, dando recompensas como bônus, prêmios, etc.

13 – Comunicação
Uma comunicação realmente eficaz faz muito mais para a equipe do que se pode imaginar, como por exemplo:
- através de uma comunicação pode-se aumentar a motivação, a coesão, a confiança e a organização do trabalho em equipe;
- estabelecer franqueza e sinceridade entre todos;
- integrar a equipe com outras equipes em busca de um maior conhecimento;
- enviar mensagens de reconhecimento, agradecimento, congratulações, elogios, sugestões, críticas, etc.;
- saber a hora certa de ouvir e de falar;
- saber que cada membro pode precisar de seus pares em todos os momentos;
- dividir resultados, bons ou ruins, etc.

14 – Comprometimento e geração de valor
A todo custo deve ser evitada a formação de equipes onde dois trabalham e quatro ficam olhando. Todos devem estar conscientes que
os bons resultados só aparecerão com o comprometimento de todos, transformando seus esforços em valores positivos. É fundamental que cada um reconheça a sua performance e a dos outros durante todo o processo.
A máxima: “
eu já fiz a minha partedeve ser banida das equipes coesas e comprometidas.
15 – Reconhecimento
Se, em uma corporação, o reconhecimento e os prêmios são individualizados sem levar em consideração a atuação de toda a equipe, então não há a necessidade de trabalho em equipe.
Equipes que atingem objetivos e metas são merecedoras do reconhecimento pelo trabalho desenvolvido. O reconhecimento por algo que se fez de bom para a corporação, para a equipe e para si é de capital importância, pois lança a equipe a novos desafios, metas e objetivos e a fazer cada vez melhor.
Importante: não se gasta nada para reconhecer um bom trabalho de equipe.

Vantagens do trabalho em equipe
Os benefícios que uma equipe coesa e afinada pode trazer às corporações são notórios.
O fato de a equipe ser formada por pessoas diferentes e que possuem diferentes vivências torna o relacionamento melhor pois, enquanto um membro se destaca em uma determinada área, outro se destaca em outra, e assim por diante.
Além disso, pela integração entre os membros, o potencial e as habilidades individuais tornam-se mais evidentes. E, é óbvio, que a atividade individua, o “cada um por si”, fica totalmente abolido frente às necessidades do trabalho em equipe que os tempos modernos exigem.
Para mais, desenvolvem-se o comprometimento com as decisões e a estratégia de ação, a concentração na realização de resultados, a confiança mútua e o chamamento às responsabilidades quando algo não sai de acordo com os planos. 
O trabalho em equipe ainda envolve a paciência, a solidariedade, o planejamento, a aceitação da idéia do erro e de se conviver com colegas, cuja oportunidade, nos faz conhecê-los melhor e aprender com suas experiências e histórias de vida.
Finalmente, “equipes bem formadas são mais criativas, têm mais fontes de informação, incrementam a aprendizagem e seus membros se auto-satisfazem por participar de processos de decisão além de aprender mais sobre si próprios”, como afirma Fábio G. Santos.
O outro lado: equipes podem não gerar resultados
vejam algumas razões porque uma equipe nem sempre alcançam os resultados almejados:
1 -Necessidades mal combinadas
Na equipe pode haver pessoas que trabalham em seu próprio benefício ou em prol de propósitos contraditórios.
A solução está em conhecer os objetivos individuais e perguntar aos membros o que desejam e o que esperam obter da equipe.

2 – Metas confusas e objetivos embolados
Os objetivos não ficam claramente definidos ou as metas traçadas são incoerentes entre si.
Caso isto aconteça, é necessário esclarecimentos sobre eles ou rever sua congruência, eliminando decisões tomadas apressadamente para se cumprir prazos.

3 – Papéis não resolvidos
Os integrantes da equipe não entendem claramente qual é a sua função ou a tarefa a desempenhar.
Portanto, todos devem estar cientes do que se espera de seus desempenhos, e qual sua função dentro da equipe.

4 – Tomada de decisões ruim
Existem várias ferramentas decisórias diferentes, sendo cada uma mais apropriada para situações específicas. Pode ocorrer que tais ferramentas estejam sendo usadas em situações inadequadas.
Técnicas de análise por comparação par a par ou técnicas de matriz de avaliação são exemplos que podem ser empregados.

5 – Conflitos de personalidades
Diferentes personalidades dentro de uma equipe podem causar conflitos na execução das tarefas.
A solução está na identificação e valorização destas diferenças, tornando-as transparentes para os membros da equipe.

6 – Liderança ruim
Existem muitas maneiras de a liderança influenciar de forma negativa o comportamento de uma equipe, como, por exemplo, incoerência, inexpressividade, inconstância, etc.
Nestes casos, fica claro que o líder deve entender que seu propósito é servir aos objetivos da equipe. Caso isto não ocorra, o papel da liderança deve ser passado a outra pessoa.

7 – Cultura anti-equipe
Não são todas as corporações que estão prontas para lidar com as decorrências do trabalho em equipe, principalmente as auto-gerenciáveis, pois isto implica em níveis diferenciados de liberdade aos seus integrantes. Isto faz com que a cultura da corporação trabalhe contra as equipes de forma sutil ou declarada.
Neste tipo de corporação, as verdadeiras razões para a criação de equipes devem ser muito bem avaliadas. Se estas razões não forem relevantes, o melhor é nem se criar a equipe.

8 – Feedback e informações insuficientes
Uma das coisas mais importantes para o monitoramento do trabalho em equipe é a avaliação de seu desempenho sendo que, para que o mesmo possa ser o esperado, não deve haver qualquer tipo de sonegação de informações.
Torna-se imperativo que se crie um sistema de livre fluxo de informações que sejam úteis para todos os membros da equipe e que também permita o acompanhamento de seu desempenho.

9 – Sistemas de recompensa mal concebidos
O reconhecimento pelo trabalho eleva o nível de motivação dos membros da equipe. E isto pode não ser feito de forma correta, pois existem inúmeras formas para isso.
É necessário que, não só a equipe como um todo, mas também seus membros, de forma individual, sejam recompensados.

10 – Falta de vontade de mudar
Quando se sabe o que necessita ser feita, mas não há vontade de fazê-lo, nada será convertido em sucesso.
Neste caso deve-se identificar e remover todos os obstáculos que impedem a mudança.

A formação de equipes é fundamental, desde que as forças das pessoas se tornem produtivas e suas fraquezas irrelevantes e onde a unificadora se torna a visão comum e o sistema de valores.
De nada adianta o desejo de “vamos trabalhar em equipe” se o pensamento é independente e autoritário e as decisões são unilaterais e arbitrárias. Desta forma nunca se forma uma equipe.
Transformar um grupo de pessoas em uma equipe de alta performance é, realmente, um grande desafio. Desafio que envolve a necessidade de uma comunicação aberta, de uma prática democrática que leva ao exercício pleno das capacidades de cada um de seus membros e de uma atuação criativa e saudável. E, o que é fundamental, é toda a equipe que irá se responsabilizar pelos seus próprios sucessos e fracassos.

domingo, 23 de outubro de 2011


O tempo não comprou passagem de volta. Tenho lembranças e não saudades.
Mário Lago

De que são feitos os dias?
- De pequenos desejos,
vagarosas saudades,
silenciosas lembranças.

Entre mágoas sombrias,
momentâneos lampejos:
vagas felicidades,
inatuais esperanças.

De loucuras, de crimes,
de pecados, de glórias
- do medo que encadeia
todas essas mudanças.

Dentro deles vivemos,
dentro deles choramos,
em duros desenlaces
e em sinistras alianças...
Cecília Meireles

domingo, 9 de outubro de 2011


A única história que vale alguma coisa é a história que fazemos hoje.
Henry Ford

A consciência é o melhor livro de moral e o que menos se consulta.
Blaise Pascal

A História é um conjunto de mentiras sobre as quais se chegou a um acordo.
Napoleão Bonaparte

Se o desonesto soubesse a vantagem de ser honesto, ele seria honesto ao menos por desonestidade.
Sócrates

sábado, 16 de abril de 2011

O Dicionário, de Machado de Assis


 ERA UMA VEZ um tanoeiro, demagogo, chamado Bernardino, o qual em cosmografia professava a opinião de que este mundo é um imenso tonel de marmelada, e em política pedia o trono para a multidão. Com o fim de a pôr ali, pegou de um pau, concitou os ânimos e deitou abaixo o rei; mas, entrando no paço, vencedor e aclamado, viu que o trono só dava para uma pessoa, e cortou a dificuldade sentando-se em cima. 
— Em mim, bradou ele, podeis ver a multidão coroada. Eu sou vós, vós sois eu. 
O primeiro ato do novo rei foi abolir a tanoaria, indenizando os tanoeiros, prestes a derrubá-lo, com o título de Magníficos. O segundo foi declarar que, para maior lustre da pessoa e do cargo, passava a chamar-se, em vez de Bernardino, Bernardão. Particularmente encomendou uma genealogia a um grande doutor dessas matérias, que em pouco mais de uma hora o entroncou a um tal ou qual general romano do século IV, Bernardus Tanoarius;
— nome que deu lugar à controvérsia, que ainda dura, querendo uns que o rei Bernardão tivesse sido tanoeiro, e outros que isto não passe de uma confusão deplorável com o nome do fundador da família. Já vimos que esta segunda opinião é a única verdadeira.  
Como era calvo desde verdes anos, decretou Bernardão que todos os seus súbditos fossem igualmente calvos, ou por natureza ou por navalha, e fundou esse ato em uma razão de ordem política, a saber, que a unidade moral do Estado pedia a conformidade exterior das cabeças. Outro ato em que reveleu igual sabedoria, foi o que ordenou que todos os sapatos do pé esquerdo tivessem um pequeno talho no lugar correspondente ao dedo mínimo, dando assim aos seus súbditos o ensejo de se parecerem com ele, que padecia de um calo. O uso dos óculos em todo o reino não se explica de outro modo, senão por uma oftalmia que afligiu a Bernardão, logo no segundo ano do reinado. A doença levou-lhe um olho, e foi aqui que se revelou a vocação poética de Bernardão, porque, tendo-lhe dito um dos seus  dous ministros, chamado Alfa, que a perda de um olho o fazia igual a Aníbal, — comparação que o lisonjeou muito, — o segundo ministro, Ômega, deu um passo adiante, e achou-o superior a Homero, que perdera ambos os olhos. Esta cortesia foi uma revelação; e como isto prende com o casamento, vamos ao casamento. 
Tratava-se, em verdade, de assegurar a dinastia dos Tanoarius. Não faltavam noivas ao novo rei, mas nenhuma lhe agradou tanto como a moça Estrelada, bela, rica e ilustre. Esta senhora, que cultivava a música e a poesia, era requestada por alguns cavalheiros, e mostrava-se fiel à dinastia decaída. Bernardão ofereceu-lhe as cousas mais suntuosas e raras, e, por outro lado, a família bradava-lhe que uma coroa na cabeça valia mais que uma saudade no coração; que não fizesse a desgraça dos seus, quando o ilustre Bernardão lhe acenasse com o principado; que os tronos não andavam a rodo, e mais isto, e mais aquilo.
Estrelada, porém resistia à sedução. 
Não resistiu muito tempo, mas tàmbém não cedeu tudo. Como entre os seus candidatos preferia secretamente um poeta, declarou que estava pronta a casar, mas seria com quem lhe fizesse o melhor madrigal, em concurso. Bernardão aceitou a cláusula, louco de amor e confiado em si: tinha mais um olho que Homero, e fizera a unidade dos pés e das cabeças.  Concorreram ao certâmen, que foi anônimo e secreto, vinte pessoas. Um dos madrigais foi julgado superior aos outros todos; era justamente o do poeta amado. Bernardão anulou por um decreto o concurso, e mandou abrir outro; mas então, por uma inspiração de insigne maquiavelismo, ordenou que não se empregassem palavras que tivessem menos de trezentos anos de idade. Nenhum dos concorrentes estudara os clássicos: era o meio provável de os vencer.   
Não venceu ainda assim porque o poeta amado leu à pressa o que pôde, e o seu madrigal foi outra vez o melhor. Bernardão anulou esse segundo concurso; e, vendo que no madrigal vencedor as locuções antigas davam singular graça aos versos, decretou que só se empregassem as modernas e particularmente as da moda. Terceiro concurso, e terceira  vitória do poeta amado. 
Bernardão, furioso, abriu-se com os dous ministros, pedindo-lhes um remédio pronto e enérgico, porque, se não ganhasse a mão de Estrelada, mandaria cortar trezentas mil cabeças. Os dous, tendo consultado algum tempo, voltaram com este alvitre: 
— Nós, Alfa e Ômega, estamos designados nelos nossos nomes para as cousas que respeitam à linguagem. A nossa idéia é que Vossa Sublimidade mande recolher todos os dicionários e nos encarregue de compor um vocabulário novo que lhe dará a vitória. 
Bernardão assim fez, e os dous meteram-se em casa durante três meses, findos os quais
depositaram nas angustas mãos a obra acabada, um livro a que chamaram Dicionário de Babel, porque era realmente a confusão das letras. Nenhuma locução se parecia com a do idioma falado, as consoantes trepavam nas consoantes, as vogais diluíam-se nas vogais, palavras de duas sílabas tinham agora sete e oito, e vice-versa, tudo trocado, misturado, nenhuma energia, nenhuma graça, uma língua de cacos e trapos. 
— Obrigue Vossa Sublimidade esta língua por um decreto, e está tudo feito.  Bernardão concedeu um abraço e uma pensão a ambos, decretou o vocabulário, e declarou que ia fazer-se o concurso definitivo para obter a mão da bela Estrelada. A confusão passou do dicionário aos espíritos; toda a gente andava atônita. Os farsolas cumprimentavam-se na rua pela novas locuções: diziam, por exemplo, em vez de: Bom dia, como assou? — Pflerrgpxx, rouph, aa? A própria dama, temendo que o poeta amado perdesse afinal a campanha, propôs-lhe que fugissem; ele, porém, respondeu que ia ver primeiro se podia fazer alguma cousa. Deram noventa dias para o novo concurso e recolheram-se vinte madrigais. O melhor deles, apesar da língua bárbara, foi o do poeta amado. Bernardão, alucinado, mandou cortar as mãos aos dous ministros e foi a única vingança. Estrelada era tão admiravelmentc bea, que ele não se atreveu a magoá-la, e cedeu. 
Desgostoso, encerrou-se oito dias na biblioteca, lendo, passeando ou meditando. Parece que a última cousa que leu foi uma sátira do poeta Garção, e especialmente estes versos, que pareciam feitos de encomenda: 
O raro Apeles, 
Rubens e Rafael, inimitáveis 
Não se fizeram pela cor das tintas; 
A mistura elegante os fez eternos.  


Qualquer semelhança será mera coincidencia - Agricio Balbi

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Harrison Ford

Em entrevista dada em Madrid durante o lançamento de seu novo filme - Uma Manhã Gloriosa - onde interpreta um jornalista veterano, o sempre Indiana Jones fez o seguinte comentário sobre o caráter da imprensa atual: "Sempre admirei a objetividade do bom jornalismo, mas agora há uma nova versão que é uma espécie de estratagema de marketing, se estabelece um lugar em que as pessoas vão para ter seus preconceitos confirmados. Acho que isso não é saudável, que anima a virulência e a discordância."

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

TODO DIA É UM NOVO DESAFIO A VENCER

Desafios que, aos olhos de muitos, podem parecer tão simples e, para outros, tão complexos e insuperáveis.inerentes a condição física, idade ou sexo.

Na verdade, são fases na vida de cada ser humano que jamais devemos esquecer.

Cada desafio nos ajuda a não nos tornarmos insensíveis, frios e desinteressados. Nos servem para valorizar a raça e a nossa condição de humanos; aceitar que temos direito a errar, aprender e superar — sem, contudo, deixar que a luta diária se torne a nossa cadeia perpétua.

Dinheiro não é tudo na vida e nem tudo tem preço.

Não podemos deixar os valores fundamentais morrerem.

É preciso resgatar a família e, de verdade, dedicar o tempo de que precisam nossos filhos, irmãos, esposas, maridos, mães, pais, avós;

resgatar a verdadeira amizade, essa que não morre nunca, porque não tem compromisso nem laços sangüíneos e surge livre e espontânea, sem pedir nem exigir nada;

resgatar a confiança das pessoas;

acreditar na palavra empenhada e cultivar, praticar e propagar a honestidade;

exigir o que é justo, fazer valer os nossos direitos e respeitar os direitos dos outros.

Nunca foi tão necessário voltar a acreditar; nos tornarmos homens e mulheres de fé, que acreditem num tempo melhor para as novas gerações.

Mas não é só falar:

é preciso assumir o compromisso pessoal, nos transformar em agentes de mudança, nos espalhar na sociedade como um vírus na internet e ver se, duma vez por todas, conseguimos uma mudança real para a nossa sociedade e deixamos um Brasil melhor para os filhos dos nossos netos.

Você e eu sabemos que o tempo é curto.

Então é tempo de começar.